Como um gato, este blogue já teve várias vidas: começou como um memorial pra consumo pessoal, hoje é uma forma de compartilhar as aventuras e aprendizados da família nesguinha, principalmente com amigos e familiares distantes!
(Continuação do relato feito pelo pai da Gaia, o Angel, meu companheiro e amor Nes - escrito em 30/11/2017)
"Duas semanas e meia de vida, aprendizado, transformações... tudo isso lambuzado de muito amor.
Quase faz muito tempo que tudo começou... ou que sempre foi assim.
Nessa passagem, tivemos a amorosa ajuda de Ritta Pinho, Mari Almeida e Dione Ferreira, nossas amadas parteiras.
Fui
acordado umas 7 da manhã por Dione ao telefone, me perguntando como
estava... uai, eu tava ótimo!, ué... ainda não tinha me dado conta de
que Gab já tinha avisado elas, as parteiras, de que tava sentindo
cólicas desde a madrugada (Edição minha: na verdade, a BOLSA tinha estourado às 3 da manhã!).
Assim, logo elas chegaram e comecei os preparativos, bem feliz, da parte que me toca: fazer muita comida!!!
Enquanto Gaia abria seu caminho, a paz seguia reinando na casa... ou seria 'rainhando'...
É fato que nunca dei muito conta de fazer relato de meus partos... pra mim, sempre tão cerebral, parto é vivência muito instintiva, onde preciso acessar outras dimensões, sair do racional... então não gosto de descrever em palavras, prefiro postar só imagens e as palavras de outros que me tocam... porém no caso deste terceiro parto, posto aqui o relato amoroso feito à família pelo Angel, meu companheiro e pai dos meus filhos, porque será uma memória bonita pra uma dia compartilhar com minha filha caçula quando ela puder ler esta história: a sua história! Com a palavra, o pai da Gaia: "esta será a história de um nascimento...
mas só vou começar a dar um gostinho dessa história muito especial, que tem vários pontos de vista, vários momentos: Um
dia antes de Gaia começar a querer nascer, sábado, dia 11, pela manhã,
Rita, nossa mestra e parteira ensinou as crianças a 'ver' a irmã dentro
da barriga da mãe:
Dizem que o último filho a gente mal tem registro e nem sente passar... pois não é que eu me senti ao contrário?
Como sabia com certeza que esta minha "raspinha de tacho" seria a última mesmo, curti à beça a barriga, e passada a fase de ambivalência, me senti apaixonada e orgulhosa por esta deusa na barriga.
Ela vem tendo muitos registros desde então, parece até como se fosse a primeira de todas... pois chegou chegando para fazer a gente sentir que já fazia parte dessa família desde sempre!
Dica Nesguinha de reinauguração: "Vai e Vem das Estações", do Palavra Cantada
Palavra Cantada já era clássico nesguinho quando éramos só dois... e fãs de albuns como "Canções de Brincar" ou "Canções Curiosas", com suas rimas geniais e belas melodias em arranjos incríveis.
Mas aí veio a Inaê e com ela todo um mundo novo se abriu... porque a dupla Sandra Perez + Paulo Tatit tem tantas ideias legais pra fazer música de qualidade pra crianças de todas as idades, quanto parceiros de peso pra participar dos férteis projetos... gente do calibre de Monica Salmaso e Arnaldo Antunes, por exemplo...
Foi aí que conhecemos outros muitos albuns, do divertido "Carnaval do Palavra Cantada" ao delicado "Meu Nenem" (este virou A trilha sonora do soninho da Inaê por muito tempo)...
Outros interesses cresceram, mas sempre guardamos um lugar pro Palavra Cantada no coração nesguinho...
E então veio o Rudá, e com ele percebemos que, se o primeiro filho é o que nos desbrava mundos que antes desconhecíamos, o segundo filho é um eterno redescobrir ou até descobrir novos caminhos do que já imaginávamos conhecer (e quem tem filho pequeno sabe bem o que significa ler e reler, ver e rever, escutar e reescutar, até o infinito... e "de novo!!"").
Por isso, se parecia que, apesar de ainda adorarmos Palavra Cantada, já não era nada de novo, eis que a gente redescobre novos caminhos destes adoráveis poemas musicados... agora visuais!
Rudá logo se ligou nos clipes musicais, e todo um universo se abriu de novo, mas de forma diferente!
Os clipes mais antigos continuam especiais, como o da "Sopa", que todo nenem ama pra cantar o que tem na sopa do nenem - e o Rudá não foge à regra (além de amar sopa).
Porém os clipes novos são um arraso... de músicas mais novas ou das clássicas mais antigas...
E o melhor: tá sempre pintando coisa nova no canal oficial deles...
E foi lá que, faz umas 3 semanas, nos presentearam com este primor feito a muitas mãos, com algumas das rimas mais deliciosas já feitas, e participações muito especiais (surpresa!)
Quem não viu veja já, e prepare-se pra ficar com a música grudada na cabeça, coralzinho fofo de crianças afinadas ecoando, e a mesmíssima sensação de um pequeno pedindo pra ver... "de novo!"
Minha avó Lila, mãe do meu pai, descansou nesta sexta dia 5 de setembro.
Era minha avó, minha avózinha Lila, bisa de Inaê e Rudá... porém de certa forma já não era... Não mais a avó com quem convivi durante toda a infância e de quem guardo lembranças queridas...
Há muitos anos ela já estava sofrendo com o maldito mal de Alzheimer, o que fez com que fosse escapando aos pouquinhos de nós... até não mais nos reconhecer, depois não conseguir mais se comunicar, depois sequer andar...
Comecei a escrever este relato logo depois do anterior, mas não publicava nunca!
Pois, depois da viagem, voltei a trabalhar, e aí foi (e vem sendo) toda uma reorganização do tempo e das rotinas...
Tanta coisa mais foi acontecendo e eu querendo fazer outros relatos...
Mas já estamos no meio de maio, então publico este assim mesmo, e vou tentando soltar outras atualizações da vida nesguinha com mais frequencia do que nestes últimos 2 meses!
E como se não bastasse as aventuras de viajar 2 dias de carro até o Terra Vista, ainda encaramos (eu e as crianças, só nós!) um bate e volta até Olivença, senão a Inaê não se conformaria caso não visse a querida amiga Toyane...
Pois é, a família nesguinha já caiu na estrada de novo!
Aproveitando o finzinho de férias pós-licença maternidade, partimos pro sul da Bahia, pra visitar os amigos do assentamento Terra Vista e participar da mobilização de apoio aos tupinambás da Serra do Padeiro.
Este ano não deu pra fazer um texto específico pra campanha sobre o Dia das Crianças do movimento Infância Livre de Consumismo. Então anexo aí abaixo a cartinha que fiz e enviei pra escola da minha filha na semana passada - uma forma de fazer o meu trabalho de formiguinha, buscando chamar pra refletir e agir quem participa diretamente do cotidiano da família!
OBS: a série de imagens acima (que ficaram lindas!) são da campanha do movimento ILC, passa lá pra se informar mais!
(Este relato é dedicado a todas as mães que estão passando pelo que passei ao constatar que o bebê estava "sentado" na barriga... Que nosso relato possa animá-las e inspirá-las de alguma forma, e que se sintam fortalecidas ao final deste processo como pude me sentir!) Quando chegamos à 36a semana de gestação, confirmamos que o Rudá estava na posição pélvica, ou seja, com a cabecinha pra cima.
Nossa querida vó e bisa Nélia descansou ontem, faltando dois meses pra completar 95 anos. Vó-bisa, todo nosso carinho e gratidão, sua neta Gab, seu neto de coração Angel, e seus bisnetinhos Inaê e Rudá
Viva vó-bisa Nélia! (1918, Belém do Pará - 2013, Porto Alegre)
Fotos da nossa última viagem a POA e do natal em Brasília - dezembro 2012:
... tomando sorvete juntas (paixão compartilhada entre bisa e bisneta!)...
... Inaê com os bichinhos presenteados pela bisa e tio Ric...
... tocando piano (pois era exímia pianista)...
... entre outros momentos de partilha que sempre guardaremos na lembrança e nos nossos corações!
(Trechos extraídos do livro A maternidade e o encontro com a própria sombra, de Laura Gútman)
O PARTO COMO DESESTRUTURAÇÃO ESPIRITUAL
"Para
que o parto aconteça, é necessário que o corpo físico da mãe se abra
para deixar passar o corpo do bebê, permitindo certo rompimento.
Quando elevamos nosso pensamento, podemos perceber outro rompimento que
também se realiza, agora em um plano mais sutil, e corresponde à nossa
estrutura emocional.
Há um "algo" que se quebra ou se desestrutura para possibilitar a transição do "ser apenas um para ser dois".