A oportunidade surgiu a partir do convite pra virmos colaborar na Jornada de Agroecologia que acaba de acontecer aqui - e foi um capítulo tão, mas tão emocionante, que talvez nem dê pra contar ainda.
O assentamento Terra Vista é um dos mais emblemáticos dentro das experiências oriundas de reforma agrária aqui no Nordeste, porque se estrutura sobre dois pilares que fazem a diferença em relação a outros na região: a educação e a agroecologia. São dois elementos que estão bem interligados na proposta e na construção que vai se tentando fazer na prática por aqui.
Pra começar, o assentamento é lindo, um verde só, tudo quanto é tipo de árvore e planta pra onde quer que a gente olhe. Tanta beleza natural e alimento vivo torna-se ainda mais admirável quando a gente vê as fotos e ouve as histórias da época em que a antiga fazenda Bela Vista foi ocupada, em 1992, e a paisagem era árida, tudo desmatado.
Como outras cooperativas ligadas ao MST criadas nos anos 1990, a CPA do Terra Vista também acabou entrando em crise e por enquanto encontra-se parada. Mas antes que a proposta cooperativa seja retomada, outros formatos coletivos vão sendo adotados e isso também é economia solidária na prática. Quando chegamos, estavam começando a funcionar plenamente a proposta de trabalhar coletivamente as roças individuais, e com isso o trabalho que duraria 30 a 40 dias acaba sendo feito em 2 ou 3 dias, segundo os depoimentos. E pra possibilitar isso, uma estrutura de cozinha coletiva, com as mulheres se revezando.
E a ideia é trazer também o ensino a partir de 5a série, pra criançada maior não precisar ir pra Arataca.
Além disso, o sonho mais recente e que aos poucos vai ganhando força, é o de construir aqui dentro uma Faculdade do Cacau e do Chocolate, estruturada em torno da proposta da produção agroecológica.
Estamos alojados na casa grande, que pelo que entendi era a sede da antiga fazenda, e foi adaptada pra alojar visitantes como nós.
Estão vendo esse rio delicioso aí ao lado? Fica a meros 20 passos de nossa casa aqui! O barulhinho constante da água corrente é tão relaxante que chega a estressar o Nes!
Pra Inaê, riquíssimas descobertas e aventuras de menina de cidade na roça!
Correr atrás de pintinhos ou frangos com suas mamães galinhas...
Observar tudo quanto é tipo de inseto e já conhecer a diferença entre: marimbondo, mariposa, besouro, cigarra, centopéia, abelha...
Conversar com os passarinhos seus amigos (ou espantá-los), dar comida pros peixinhos, ver de perto burrinhos, cavalos, porcos, patos, leitõezinhos...
Conhecer um monte de pé de tudo quanto é fruta: cacau e cupuaçu (que são primos!), goiaba, açaí, graviola, abacaxi, banana...
Além da produção de vídeos sobre vários aspectos do Terra Vista, tivemos oportunidade ao longo dessas semanas de partilhar e divulgar também o que vai sendo produzido, inclusive organizando cinemas nas agrovilas e escolas com nosso projetorzinho, além de levar pra crianças e adultos um pouco de outro tipo de produção cultural à qual geralmente não se tem acesso.
Mas chega de tentar traduzir em palavras. Abaixo, dois dos vídeos tão legais feitos pelo Angel (e na página dele no YouTube tem muito mais!)
Histórias
Cigarras
Transições pra outros modelos de pensar, produzir e viver são mesmo difíceis e cheias de obstáculos. Mas os exemplos que vêm do Terra Vista são inspiradores pra animar o caminho e seguir nessa jornada.
Que massa, Bob! Um dia desses a gente pinta por aí, pra matar saudades e apresentar nosso caçulinha! Beijos pra todo mundo aí do Terra Vista!
ResponderExcluirgostei muito de saber sobre esse assentamento terra vista muito legal! jamili souza
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